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Polêmica no Carnaval: escola de samba com enredo pró-Lula e repasse de dinheiro público

Por Antônio Diógenes – 18 de fevereiro de 2026

Debate político sobre uso de verba pública e propaganda antecipada no Carnaval do Rio de Janeiro

O Carnaval do Rio de Janeiro em 2026, um dos eventos culturais mais importantes e assistidos do Brasil, ganhou um capítulo político intenso com o desfile da Acadêmicos de Niterói, cuja temática destacou a trajetória pessoal e política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A homenagem, transmitida ao vivo pela mídia nacional e repercutida internacionalmente, provocou forte reação de setores da oposição, debates jurídicos e questionamentos sobre o uso de dinheiro público em um contexto pré-eleitoral.

O enredo da escola — intitulado “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” — foi apresentado na noite do dia 15 de fevereiro de 2026 no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. A escolha da temática e a forma como a narrativa foi construída geraram críticas imediatas de parlamentares de oposição e juristas, que classificam o desfile como forma de propaganda eleitoral antecipada e possível abuso de poder político.

A controvérsia sobre recursos públicos

Um dos principais focos da polêmica foi o uso de recursos públicos federais para apoiar o Carnaval. Em janeiro de 2026, foi firmado um acordo entre a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA), no valor de R$ 12 milhões, destinando R$ 1 milhão para cada uma das 12 escolas do Grupo Especial do Carnaval carioca.

Embora todas as escolas tenham recebido a mesma quantia, críticos destacam que a Acadêmicos de Niterói foi a que decidiu homenagear diretamente o presidente no ano eleitoral, o que para a oposição configura uso inadequado desses recursos. Parlamentares do Partido Novo e figuras como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciaram que vão acionar a Justiça Eleitoral para tentar anular ou punir o evento, alegando que o desfile representa uma campanha antecipada e indevida utilização de fundos públicos.

Antes do Carnaval, técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) chegaram a recomendar a suspensão do repasse à escola no caso de enredo com homenagem ao presidente, por receio de que os recursos públicos pudessem beneficiar politicamente um candidato em ano eleitoral. A recomendação, no entanto, ainda aguardava definição do relator.

Limites entre cultura e política

A defesa do governo e de setores favoráveis ao desfile argumenta que o Carnaval é uma manifestação cultural tradicional que sempre dialoga com a política brasileira — seja por meio de sátiras a autoridades ou de homenagens — e que não há, na legislação eleitoral, proibição clara de enredos sobre figuras públicas. O próprio Planalto destacou que os recursos da Embratur são repassados tradicionalmente ao Carnaval para promoção turística e que não há direcionamento político específico.

Do outro lado, especialistas em direito eleitoral ouvidos por veículos brasileiros afirmam que a presença do presidente e de ministros no camarote, e a própria narrativa do enredo, podem reforçar percepções de campanha antecipada. Alguns citam que a exposição de um líder com temática elogiosa fora do período oficial de campanha eleitoral constitui um risco jurídico e político, mesmo que formalmente não haja propaganda explícita.

Repercussão pública e nas redes

Nas redes sociais e na imprensa nacional, o caso alimentou discussões sobre os limites de eventos culturais em relação à política partidária. Enquanto apoiadores do presidente destacam a tradição democrática do Brasil em celebrar personalidades políticas em festividades populares, críticos ressaltam que o cenário atual — com eleições presidenciais marcadas para outubro — exige cuidados para evitar que o uso de verba pública legitime um candidato em vantagem indevida.

A polêmica também evoca debates históricos, como situações em que outras escolas, em anos anteriores, abordaram temas políticos ou personalidades públicas, mas sem ocorrer no ano eleitoral com repasses públicos tão diretos ou visíveis.

O episódio promete seguir nos tribunais e no debate público nas próximas semanas, enquanto o país se aproxima das eleições de 2026.

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