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Dados oficiais mostram que Bolsonaro encerrou o mandato com superávit bilionário, enquanto Lula recolocou as contas públicas em uma sequência de déficits, aumento da dívida e pressão sobre o orçamento federal.

Por Antônio Diógenes – Jaguaribe, Ceará, 03.05.2026

O debate sobre as contas públicas brasileiras precisa ser feito com números, não com slogans. E, quando os dados oficiais são colocados na mesa, o contraste entre o fim do governo Bolsonaro e os anos seguintes do governo Lula se torna impossível de ignorar.

Em 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro, o Governo Central registrou superávit primário de R$ 54,1 bilhões, segundo o Ministério da Fazenda e o Tesouro Nacional. No conceito de Governo Federal, o resultado foi ainda maior: superávit primário de R$ 59,7 bilhões, conforme informou o Tesouro Nacional.

Isso significa que, depois de anos de contas no vermelho, o governo federal encerrou 2022 com resultado positivo. Não se trata de opinião política, mas de dado fiscal oficial.

A partir de 2023, já sob Lula, a fotografia mudou radicalmente. O Governo Central fechou aquele ano com déficit primário de R$ 230,535 bilhões, conforme divulgado pelo Ministério da Fazenda e pelo Tesouro Nacional. Mesmo considerando que parte desse valor foi influenciada por despesas extraordinárias, como precatórios, o fato central permanece: o governo que recebeu um resultado positivo devolveu ao país um rombo bilionário logo no primeiro ano.

Em 2024, a situação não voltou ao azul. O Governo Central encerrou o ano com déficit primário de R$ 11,032 bilhões para fins da meta fiscal; considerando despesas extraordinárias excluídas do cálculo oficial da meta, o déficit chegaria a R$ 43,004 bilhões.

Em 2025, o rombo continuou. O Governo Central registrou déficit primário de R$ 61,7 bilhões, segundo dados do Tesouro Nacional divulgados pela Agência Brasil. No setor público consolidado — que reúne União, estados, municípios e estatais — o déficit primário foi de R$ 55 bilhões em 2025, segundo relatório de Estatísticas Fiscais do Banco Central citado pela CNN Brasil.

As estatais também entraram no vermelho. Em 2025, as empresas estatais registraram déficit de R$ 5,9 bilhões, conforme dados do Banco Central divulgados pela CNN Brasil.

A dívida pública seguiu a mesma direção. A Dívida Pública Federal encerrou 2025 em R$ 8,635 trilhões, alta nominal de 18% em relação ao fim de 2024, quando estava em R$ 7,316 trilhões, segundo o Tesouro Nacional.

Na Previdência, o quadro também pesa sobre as contas federais. O déficit somado do RGPS, do regime próprio civil e das pensões e inativos militares chegou a R$ 442 bilhões em 2025, segundo relatório do Tesouro Nacional.

E os sinais de deterioração fiscal não pararam em 2025. Em março de 2026, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 73,8 bilhões no mês, impactado principalmente pelo pagamento de precatórios; no acumulado do primeiro trimestre de 2026, o saldo ficou negativo em R$ 17,1 bilhões, conforme informou o Tesouro Nacional.

A leitura política é direta: Bolsonaro encerrou o mandato com superávit; Lula assumiu um país que vinha de resultado fiscal positivo e, em poucos anos, recolocou as contas públicas em uma sequência de rombos bilionários.

É verdade que superávit primário não significa uma mala de dinheiro guardada fisicamente no cofre. Tecnicamente, significa que as receitas primárias superaram as despesas primárias naquele período. Mas, politicamente, o recado é claro: o Brasil saiu de um resultado positivo em 2022 para déficits sucessivos nos anos seguintes.

O governo Lula pode tentar justificar os rombos com precatórios, gastos obrigatórios, Previdência, BPC, calamidades e exceções fiscais. Mas governar é exatamente administrar prioridades, conter despesas, propor reformas, controlar a expansão do gasto e responder pelo resultado final.

A responsabilidade de um presidente sobre as contas públicas não é abstrata. Quem governa assina o orçamento, define a política econômica, negocia com o Congresso, escolhe onde gastar e decide quais compromissos fiscais serão levados a sério.

Por isso, a comparação é legítima: Bolsonaro terminou o mandato com as contas federais no azul; Lula conduziu o país de volta ao vermelho. Os números não apenas permitem essa conclusão. Eles a sustentam.

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