O debate sobre adolescentes no trabalho precisa sair da hipocrisia ideológica: com proteção, escola e responsabilidade, o trabalho forma caráter, cria futuro e afasta muitos jovens do caminho ilícito.
Por Antônio Diógenes | 10 de maio de 2026
Existe uma verdade que muita gente na política brasileira finge não enxergar: jovem sem ocupação, sem rumo e sem perspectiva fica muito mais vulnerável ao caminho errado.
“Trabalho protegido não rouba a juventude; o abandono, sim, rouba o futuro.”
Por isso, a fala de Romeu Zema sobre adolescentes trabalharem merece ser discutida com seriedade, e não com gritaria ideológica. Defender que um jovem de 14 anos possa trabalhar como aprendiz, dentro da lei, estudando e sendo acompanhado, não é defender exploração. É defender formação.
O trabalho ensina responsabilidade. Ensina horário. Ensina compromisso. Ensina o valor do dinheiro. Ensina que nada cai do céu e que a vida exige esforço, disciplina e caráter.
“Melhor um jovem aprendendo uma profissão do que sendo seduzido pelo caminho ilícito.”
É claro que adolescente precisa estudar. Mas estudo e trabalho, quando caminham juntos, podem formar homens e mulheres muito mais preparados para a vida. A escola forma a inteligência. O trabalho forma a postura. A família forma os valores.
O Brasil não pode achar normal ver adolescentes sendo aliciados pelo crime, andando sem direção, idolatrando o dinheiro fácil e aprendendo cedo a lógica da violência. É muito melhor um jovem estar em uma empresa, aprendendo uma profissão, do que estar na rua sendo seduzido por facções, pelo tráfico ou por qualquer atividade ilícita.
E aqui entra a diferença de visão.
Zema fala de trabalho, responsabilidade e formação. Já Guilherme Boulos aparece criticando, mas será que está mesmo preocupado com os adolescentes? Ou está apenas ocupando mais um espaço na política de ocasião?
Porque o histórico público de Boulos não é o da valorização da cultura do trabalho como caminho de autonomia. Sua trajetória está ligada ao MTST, às ocupações e à pressão política sobre propriedades. Seus aliados chamam isso de luta social. Seus críticos enxergam como relativização do direito de propriedade.
“Estudo forma a inteligência; trabalho forma responsabilidade; família forma caráter.”
Então a pergunta é legítima: Boulos teme a exploração do adolescente ou teme o adolescente livre da dependência política?
Um jovem que estuda, trabalha, recebe seu dinheiro e aprende responsabilidade se torna menos manipulável por discursos que transformam pobreza em massa de manobra. Ele entende que dignidade não nasce da invasão do patrimônio alheio. Nasce do esforço, da disciplina e da conquista.
O Brasil não precisa de adolescentes explorados. Mas também não precisa de adolescentes abandonados à rua, ao crime e à falta de perspectiva.
O que se defende aqui é o trabalho protegido, legal, fiscalizado, compatível com a escola e acompanhado pela família. Isso não rouba a juventude de ninguém. Pelo contrário: pode devolver futuro a quem quase sempre só recebeu promessa.
A esquerda precisa parar de tratar o jovem pobre como vítima eterna. Pobre não precisa ser condenado à dependência. Pobre precisa de oportunidade, estudo, trabalho e respeito.
Por isso, eu concordo com Zema.
Entre o adolescente aprendendo uma profissão e o adolescente sendo puxado para o caminho ilícito, a escolha é óbvia. Entre o jovem criando responsabilidade e o jovem sendo usado como peça de projeto político, eu fico com a responsabilidade.
Trabalho não mata caráter.
Trabalho forma caráter.
O que destrói uma geração é a falta de rumo, a cultura do dinheiro fácil e a política que prefere jovens dependentes a jovens livres.
Melhor estudar e trabalhar do que ser engolido pela rua.
Melhor conquistar com esforço do que tomar o que é dos outros.
Melhor formar homens e mulheres de caráter do que fabricar dependentes de discurso político.




















