Ministério Público cumpre 36 ordens judiciais e investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e apoio econômico à organização criminosa.
Por Antônio Diógenes
21 de julho de 2026
Crédito: Imagem ilustrativa gerada por IA.
O Ministério Público de São Paulo deflagrou nesta terça-feira, 21 de julho, uma operação contra pessoas investigadas por supostamente movimentar recursos para o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e participar de reuniões clandestinas destinadas à resolução de conflitos financeiros dentro da organização criminosa.
A Operação Janus prevê o cumprimento de 18 mandados de prisão preventiva e outros 18 de busca e apreensão. As ordens foram expedidas pela Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores. O trabalho é conduzido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, com apoio de equipes da Polícia Militar.
Segundo o Ministério Público, os investigados teriam recebido dinheiro em espécie e realizado transferências bancárias por meio de empresas e contas pertencentes a terceiros. A suspeita é de que essa estrutura fosse utilizada para ocultar a origem, permitir a circulação e disponibilizar valores a integrantes e colaboradores da facção.
A investigação também apura a participação de suspeitos em reuniões chamadas pelas autoridades de “tribunais do crime”. Neste caso, o termo se refere a encontros clandestinos usados para decidir disputas patrimoniais entre integrantes do grupo. Não há relação com qualquer julgamento oficial ou reconhecido pelo Estado.
Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou o bloqueio de contas, aplicações financeiras, imóveis, veículos e outros bens. Para pessoas físicas investigadas, a restrição pode chegar a 10 milhões de reais por alvo. Empresas apontadas como integrantes da estrutura financeira também foram alcançadas pelas medidas cautelares.
A operação é um desdobramento de outras três investigações: Bazaar, Recidere e Salus et Dignitas. O objetivo agora será analisar documentos, equipamentos e registros financeiros recolhidos durante as buscas.
A abertura da operação e a expedição dos mandados não representam condenação. As suspeitas ainda deverão ser examinadas pelo Ministério Público e pela Justiça, com direito de defesa. Até a atualização desta reportagem, não havia balanço oficial sobre quantos mandados de prisão haviam sido efetivamente cumpridos.



















