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Acordo UE‑Mercosul é considerado estratégico para o Brasil diante de entraves comerciais com os EUA

Por Antônio Diógenes – Jaguaribe, Ceará, 06.09.2025

Validação do tratado pela União Europeia abre caminho para modernização da economia brasileira e oferece hedge contra tarifas dos EUA; projeção do Ipea estima crescimento de 0,46 % do PIB entre 2024 e 2040

A União Europeia validou o acordo comercial com o Mercosul — após 25 anos de negociações — em um contexto de tensões comerciais com os Estados Unidos, onde tarifas em torno de 50 % têm afetado produtos brasileiros. A medida é vista como estratégica para o Brasil, promovendo diversificação nas exportações e maior previsibilidade regulatória.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que o tratado pode gerar um crescimento de 0,46 % no Produto Interno Bruto brasileiro entre 2024 e 2040, o equivalente a cerca de US$ 9,3 bilhões a preços constantes de 2023. A expectativa inclui aumento de 1,49 % nos investimentos, em comparação a 0,12 % na União Europeia e 0,41 % nos demais países do Mercosul.

Especialistas classificam o acordo como um “hedge institucional” — ou seja, uma proteção estratégica — que permite ao Brasil reduzir sua dependência do mercado norte-americano, atrair investimentos externos e modernizar setores produtivos com maior segurança jurídica e regulatória.

Apesar da validação política, o tratado ainda enfrenta resistências internas em alguns países da União Europeia, principalmente no setor agrícola francês, que alega risco de concorrência desleal. Também há questionamentos ambientais e sanitários que podem afetar a ratificação definitiva.

A assinatura final está prevista para ocorrer até dezembro de 2025, durante a cúpula do Mercosul em Brasília.

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