Influenciador e marido foram levados ao DEIC após ordem da Justiça da Paraíba; investigação aponta exploração sexual, trabalho infantil artístico e tráfico humano
Por Antônio Diógenes I RTV JAGUARIBE – 19 de agosto de 2025
O influenciador digital Hytalo Santos, de 28 anos, e seu marido, Israel Nata Vicente, foram presos na manhã de sexta-feira, 15 de agosto de 2025, em Carapicuíba (SP), e encaminhados ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), no bairro do Carandiru, zona norte da capital. A detenção foi autorizada após o segundo pedido de prisão apresentado pelo Ministério Público da Paraíba ser aceito pelo Tribunal de Justiça estadual.
A primeira solicitação de prisão, feita no dia 12 de agosto, havia sido negada. O novo mandado foi expedido em 14 de agosto, em decorrência do avanço das investigações, que apontam indícios de crimes como exploração sexual infantil, tráfico de pessoas e irregularidades envolvendo trabalho infantil artístico, por meio da monetização de conteúdo com adolescentes em plataformas como YouTube, TikTok e Instagram.
O caso ganhou ampla repercussão nacional após o youtuber Felca publicar, no dia 6 de agosto, um vídeo com denúncias sobre a “adultização” de crianças e adolescentes nas redes sociais de Hytalo. A publicação, que atingiu milhões de visualizações, apresentou trechos de vídeos com linguagem, figurino e comportamento com conotação adulta por parte de menores de idade, além de relatos sobre o controle que o casal exercia sobre os jovens envolvidos.
A operação foi coordenada por uma força-tarefa formada pelo Ministério Público da Paraíba, Ministério Público do Trabalho, Polícia Civil da Paraíba, Polícia Rodoviária Federal e o Cyber Lab da Secretaria Nacional de Segurança Pública. Durante a abordagem, oito aparelhos celulares foram apreendidos, além de documentos e um veículo de alto valor.
Em nota, o Ministério Público da Paraíba reafirmou seu “compromisso inegociável com a proteção integral de crianças e adolescentes”, mas alertou que houve prejuízos à investigação após o vazamento de informações sigilosas, que teria colocado vítimas em risco adicional.
Na audiência de custódia realizada no dia 16, a Justiça manteve a prisão preventiva. Dois dias depois, o casal foi transferido da cadeia de Carapicuíba para o Centro de Detenção Provisória (CDP) I de Pinheiros, em São Paulo.
O Ministério Público apura ainda a possível omissão de responsáveis legais dos adolescentes envolvidos, além da suspeita de aliciamento e tráfico de menores. As provas reunidas incluem mais de 50 vídeos, áudios, relatos de ex-funcionários e registros de festas com adolescentes, onde teriam ocorrido consumo de álcool e restrição de uso de celular e alimentação.
A defesa do casal informou, por nota, que estuda o conteúdo do mandado e não descarta entrar com pedido de habeas corpus.
O caso evidencia os riscos associados ao uso indiscriminado de redes sociais na infância e adolescência, principalmente quando há exploração econômica e psicológica sob aparência de oportunidades digitais. A resposta institucional destaca a necessidade de vigilância e responsabilização frente à violação dos direitos infantojuvenis no ambiente digital.